domingo, 13 de dezembro de 2009


Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.



Fernando Pessoa

As amoras


O meu país sabe as amoras bravas


no verão.


Ninguém ignora que não é grande,


nem inteligente, nem elegante o meu país,


mas tem esta voz doce


de quem acorda cedo para cantar nas silvas.


Raramente falei do meu país, talvez


nem goste dele, mas quando um amigo


me traz amoras bravas


os seus muros parecem-me brancos,


reparo que também no meu país o céu é azul.





Sophia de Mello Breyner Andresen

As borboletas


Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então…
Oh, que escuridão!



Vinícius de Moraes

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Contra a poluição, australianos querem ovelha que arrote menos


Cientistas na Austrália estão a tentar criar uma espécie de ovelha que mande menos arrotos, num esforço para combater as mudanças climáticas. Cerca de 10% das emissões de gases poluentes da Austrália provêm do metano produzido pela população de 8 milhões de ovelhas do país, além dos outros animais.
Os especialistas do Sheep Cooperative Research Council estão a tentar descobrir se existe alguma influência genética na produção de arrotos pelas ovelhas, observando a sua ruminação e a sua digestão. Se provarem que são os genes que estão por trás duma digestão mais “ecológica”, eles esperam obter uma nova espécie de animal mais “amigo do meio ambiente”.
Até ao momento, os cientistas testaram 200 animais e descobriram que metade arrota mais do que a média, enquanto a outra metade produz uma quantidade de metano consideravelmente menor. Segundo eles, a explicação para isso é simples: as ovelhas que comem mais arrotam mais.
Mas os especialistas acreditam que outros factores também influenciam a ruminação e podem apontar para uma origem genética. O gás metano proveniente do processo digestivo tem uma capacidade de provocar o aquecimento ambiental 17 vezes maior que o gás carbónico.

Fonte: BBC Brasil